À infância um recomesso

Com os olhos arregalados ela observa o objeto gigantesco projetado na parede, tem três vezes seu tamanho. Alguns segundos de estranhamento e ela tenta agarrar o objeto com suas mãos pequeninas. Impossível. A imagem continua fixa na parede. Ela sorri, encabulada e tenta novamente. Agora observa suas próprias mãos fixarem-se e desaparecerem da parede. Pouco tempo depois, já são mãos, braços, figuras começam a surgir. Tantas são as borboletas e coelhinhos quantas as mãos que as compõe com as sombras projetadas na parede branquíssima.
Agora, a criança observa absorta. Até que o medo se esvai e ela faz da parede seu palco e começa a atuar nele. Tira e coloca objetos sobre a mesa, onde está posta, mais ao fundo, a lanterna que ilumina a escuridão daquele feriado em que uma família assiste extasiada o prazer da descoberta.
A criança corre para frente e para trás, encolhe e aumenta, os objetos agigantante-se em suas mãos e diminuem. Ela pula é só encanto, jogando com a realidade que a cerca. E todos sorriem.
Quantas descobertas ainda para nossa criança interior?
Por isso criarei um acordo onde todos podem, depois de crescidos, redescobrir a ludicidade da vida e  em estranhamento constante com todos os detalhes que a existência contêm, encantar-se com o prazer das descobertas.

Obrigada João Mário.

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